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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Uma pitada do que é formação em Portugal O Formador - Aquele estúpido ser...

Para já, não fiquem escandalizados pelo título que escolhe, pois se são formadores e não se sentem assim, sorte a vossa, eu não digo o mesmo, por algumas das razões que sito a seguir.
No post de hoje gostaria de, mesmo que, de forma superficial, mostrar a quem não conhece, a vida de um formador, ligado de certa forma às “vitórias” do anterior governo, que nem por esse e muito menos por este, terá qualquer possibilidade em pensar, na melhoria das condições de trabalho.
De facto, os Srs. Formadores que deram e ainda dão, corpo à tão famosa iniciativa das “Novas Oportunidades, que em muitos casos “aturam” os humores de gente, que sem qualquer preparação pessoal, ao nível da cultura, do saber estar e da educação e profissional, pois são colocados em formações para as quais nunca pensaram enveredar, além das suas próprias chefias, que demonstram total desinteresse pelo que se passa, esqueceram uma coisa: Ano passado a antiga Ministra da Educação, prometeu-nos uma vida melhor, uma contratação efetiva e não estes recibos verdes, que nos deviam pela cor dar esperança e só nos merecem o nosso desprezo.
Efetivamente esquecemos também que, este governo já prometeu mudança na precariedade a que os formadores estão sujeitos, na medida em que, iriam aumentar as suas regalias, mas nada….
Esta classe profissional, equiparada a médicos, advogados e outras profissões que nem recibos muitas vezes emitem, são a par dos enfermeiros, das mais penalizadas, na relação contratual, ou não, com as entidades que são suas clientes. Na verdade sabemos que não são clientes, mas comportam-se como patrões, posicionando-nos num lugar na hierarquia, de facto um lugar de pouco destaque, mas claramente um lugar na estrutura da entidade, como outro qualquer.
Gostaria então, em breve síntese fazer um levantamento de algumas situações da vida de um qualquer formador, principalmente que trabalhe para o IEFP, mas não só:
Um formador levanta-se de manhã sem perceber imediatamente que hoje não terá formação, pois os formandos foram para estágio. Obviamente que terá que fazer algo;
Fala com o seu coordenador, no sentido de preencher mais o seu horário. O Coordenador, indica que, gosta de mudar de formadores, mesmo sem saber da sua efetiva qualidade (digo eu);
O coordenador tem uma função para mim, mediar uma turma de formação de Jovens (CEF), muito bem, até que enfim… Vou ganhar 100€ por mês e as funções, entre outras, são: Tratar das questões burocráticas, juntamente com as Assistentes Sociais, Falara individualmente com os formandos, no sentido de resolver os seus problemas, dar entrada das faltas em sistema informático próprio da entidade (patronal), inserir os horários nessa mesma plataforma, fazer os horários “jogando” com as
disponibilidades de cada um, acompanhar os formandos no estágio curricular, etc, etc…O que é isto? O Formador é fornecedor, ou trabalhador da entidade?
Pois é, os sucessivos governos não olham para isto…
Mas há mais. Não existem condições para a sessão de formação, sucessivamente comunica-se ao coordenador tal facto. Resolva-a o Sr formador, foi também para isso que teve o CAP!
Chegou o fim do mês, é altura de comunicar as horas leccionadas, que serão pagas, já depois de recibo passado (ilegalidade praticada no IEFP), na melhor das hipóteses 3 semanas depois, mas isso é na melhor das hipóteses, pois pode demorar, mais de 4 meses! Tanto em instituições tuteladas diretamente pelo IEFP, como com parceiros.
Chegamos às férias, espetacular, os funcionários dependentes, ganham (ganhavam até aqui) 2 salários e nós…NADA! Muito boas assim as férias.
Vamos marcar uma reunião para abordar assuntos da formação, uma vez por mês. Os formadores não podem faltar, mas os coordenadores faltam quase sempre… As deslocações ninguém nos paga, muito menos as presenças. Haveriamos nós de nos reunirmos nas assembleias da capital europeia da cultura e íamos buscar pelo menos 1000 euritos. Já sei que trabalhávamos muito mais nessas reuniões, mas podiam dar-nos pelo menos 50€! Só para os gastos.
Está a chegar Dezembro, não sabemos o que se irá passar para o ano. Os coordenadores nada nos dizem e até parecem de certa forma melindrados pelas nossas perguntas, pois querem é assegurar o trabalhinho deles, mais nada…
Desculpem este texto, que parece mais um lamento, mas é de facto isso mesmo. Efetivamente não foquei tudo o que me parece desadequado mais haveria a dizer, simplesmente mencionei aquilo que me parece ser a maior falta de respeito e consideração, por pessoas normalmente com formação académica superior.
Já nem falo, quando acaba um curso, ou nas férias ou na falta de formação devida a estágios, não ganharmos um tostão e termos que pagar a Seg. Social, senão aí vem as mãos tentaculares da justiça fiscal, as penhoras, etc. Penhorem os grandes ladrões, que se passeiam de fato e gravata e que são na maioria, vossos parceiros. 
Trago agora à colação oum novidade, deveras importante e que quase me esqueci. Afinal este ano vamos ter direito ao 14 mês, não sabiam?! Sim é verdade. também nós, na maioria dos casos a receber apenas durante 11 meses, vai contar para efeitos de imposto extraordinário, inventádo por um ordinário qualquer, que vai conseguir fazer o milagre da multiplicação. Na altura de entregar o IRS, será dividido o valor ganho nos 11 meses, por 14 e taxado em 50% o valor apurado acima dos 485€. Esta é de rir...para não falar na merecida bofetada na cara, da qual o moderno "Zé do telhado", não se livraria, num regime em que os valores fossem mais presentes. 
Façamos nós alguma coisa por isto, esta vidazinha dá-me náuseas.
Não, isto não é verdade, foi tudo ficcionado, nada é real. Na realidade as coisas não são assim...

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