Benvindo ao Botequim, entre sff...
sábado, 17 de dezembro de 2011
A Diva morreu
Não podia deixar de referir, hoje neste dia marcado pelo calar da voz da "diva dos pés descalços", de salientar a enorme embaixadora de Cabo-Verde, em todo o mundo e da música tradicional desse maravilhoso país, que felizmente tem continuidade, nos enormes talentos que têm surgido, que serão o garante suficiente da eternização das "mornas".
Evidentemente que Cesária Évora, é recordada pela voz, mas sê-lo-á também pela faceta de mulher, acessível e próxima, não se refugiando em caprichos, tão próprios da moderna classe de artistas mundiais, tão próximos do Céu, como do inferno...
Que descansa em Paz...
Voltem as pescas e a agricultura
Foi patente e notório, o completo abandono da agricultura e pescas a que os sucessivos subsídios, enviados pela então CEE, aos governos Cavaco, condenaram. Efetivamente na década de 90, cometeram-se bastantes erros, uns por incúria, outros por mera negligência, e ainda outros à custa do famoso oportunismo, ou “Chico-espertismo”, muito próprio de países atrasados cultural e socialmente a que anos de ditadura ditaram Portugal.
Durante esses anos de algum desafogo financeiro, em que todos os dias entravam em Portugal milhões de contos e se optou por gastar esses cobres para fazer auto-estradas e “SCUTS”, que agora dizem ser altamente deficitárias e que afinal, a culpa é de quem lá passa.
Esqueceram-se certamente que os dinheiros públicos que se gastaram para fazer esses caminhos de alcatrão, foram sonegados a hospitais, creches, centros de dia, centros de saúde, etc.
Optou-se à “moda de Jardim” por um esquema mediático de propaganda, em que o que se via do céu é que era importante, o que estava por baixo, as infra-estruturas, não era preciso investir nelas e deu nisto…
Hoje, mesmo depois de tantos incentivos, tantos fundos, somos afinal mais pobres. E porque será?
Evidentemente era um facto, termos que pagar o que recebemos e a factura estamos já a pagá-la, somos os incumpridores ou despesistas, os mal comportados, mas não somos todos assim. Eu particularmente e a maioria na generalidade, nada beneficiou com isto, independentemente de muitos terem abatidos hectares de oliveiras, vinhas barcos de pesca, hoje estão no mesmo ponto, pobres!
Quem ganha ou ganhou afinal com tudo isto?
Logicamente que o que vou enumerar, parte da minha percepção empírica, não deriva de um estudo cientifico, mas sem qualquer pretensão de ser um “opinion maker”, deixo apenas algumas linhas do meu pensamento. Pelo menos isso para já, julgo que ainda é livre, penso que os serviços secretos ainda me deixam pensar e emitir a minha visão sobre as coisas.
É relativamente simples de verificar “in loco” os mais beneficiados, como sejam: Empresas e/ou particulares que conseguiram altos lucros sem trabalho efetivo, apenas recorrendo à especulação financeira, mesmo quando a maior parte da população está na penúria, publicitam ganhos. Pois, este anos os lucros são menores, que pena…mas são lucros, certo?
Alguma classe política mercenária, “Deputados de carreira”, que nada mais sabem fazer e quando se retiram, não abdicam do subsídio de reintegração, como se de presos se tratassem, ou de gente que por alguns anos esteve em Marte, ou noutro planeta qualquer.~
Presidentes de edilidades corruptos e corruptores, administradores, gestores, directores e vogais de empresas públicas e privadas”, chega a ser escandaloso…
Obviamente que esta situação é muito mais grave, quando se trata de empresas públicas, em que abutres sedentos de dinheiros, cobram centenas de euros por reunião, ou sessão de consultadoria, apoio jurídico e demais expedientes.
À mistura ainda se pode referir o oportunismo de alguns armadores de pesca, agricultores, proprietários de indústrias pecuárias, etc
Finalmente, queria rematar com a ideia de que nem mesmo o Dr Medina Carreira, que muito prezo, ou outros pessimistas de carreira, tem a solução para isto, mas ela não será certamente a que ardilosamente alguns estão a tentar construir e no fundo a gozarem “à brava” com o que se passa.
É preciso lembrar ao povo, que por vezes se esquece, que o actual Presidente da República, catedrático professor de economia, não de facto o único, mas é um dos maiores responsáveis por isto, aliás ele próprio assume, quando afirma que devemos voltar à agricultura e pescas, que nunca devíamos ter abandonado, tendo em conta a situação geográfica e climáticas privilegiadas. Os outros responsáveis, já todos sabemos quem são e por onde andam…
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
A nossa justiça e a "Particula de Deus"
Nestes dias que tanto se fala de justiça e de casos que se encontram em julgamento, gostava de lembrar alguns casos de trâmites mais ou menos obscuros, ou pelo menos duvidosos, mas que, ninguém pode por em causa, pois vivemos num “estado de direito” e como tal, não podemos acusar inocentes, sem provas.
Queria apenas lembrar alguns casos mediáticos que até agora, tiveram honras de abertura de telejornais, mas em que os seus visados, nada sofreram.
A nossa justiça e perdoem-me a analogia assemelha-se à “partícula de Deus”, desconfiamos que existe, mas não conseguimos comprovar, então gastamos rios de dinheiro a tentar encontrá-la, quando de facto seria muito mais bem empregue, noutros campos da ciência. Bom, mas isso fica para outra altura.
A aludida analogia não é, a meu ver, totalmente despropositada, pois, é de facto tão raro encontrar justiça neste país, como a “Partícula de Deus” no famoso e megalómano, “micro-caos”, ou “máquina da criação”, desenvolvido pelo CERN.
A justiça em Portugal rege-se pela mesma bitola, investiga-se, investiga-se, gasta-se, gasta-se, mas qual a consequência? Uma mão cheia de nada.
Queria relembrar alguns casos mediáticos, que acabam por se perder nas brumas da memória, não serão culpados por nada, serão apenas inocentes, vitimas das famosas “cabalas”, que se tornou num hábito referir.
Casos como Valentim Loureiro, acusado em processo de fraude e benefícios a clubes, arquivado por falta de provas, apanhado em casos de terrenos que valorizam de manhã para a tarde, tal como o seu famoso filho e cantor, dos extintos Ban. Oliveira Costa Ilustre Presidente do BPN e antigo Secretário de estado de Cavaco, Dias loureiro, também metido na mesma embrulhada, Vale e Azevedo, inteligente e proeminente advogado que teve a possibilidade de ser filmado a sair dos calabouços e imediatamente detido, passados 6 segundos, num ridículo cenário circense. Poderia falar dos ilustres pedófilos e demais comandita de tresloucados “virados”, enfim, teria muito mais a mencionar, mas estes chegam para demonstrar a falta de justiça e vergonha. Outro também visado pela justiça e evidentemente inocente será Isaltino de Morais, esse famoso presidente que apenas ficou com uns trocos do que sobrou da campanha e despretensiosamente depositou numa conta na Suiça em favor de um sobrinho. Como pode ser censurado tamanho acto de solidariedade. Ainda acerca deste caso, tivemos a oportunidade de assistir ainda hoje a mais uma evolução positiva, para ele claro, mais um tiro no pé da justiça, na medida em que, parece darem-lhe razão na medida dilatória requerida para aferir da legitimidade dos recursos apresentados.
Torna-se de facto caricato, para não dizer mais, não eu para a “frigideira” por tamanha desconsideração e demonstração pública por estes arguidos ou ex-arguidos, na maior parte dos casos a cruzarem-se comigo no centro comercial.
A crença de que os famosos se rodeiam de proeminentes advogados da nossa praça, que lhes cobram 500€/hora e que usam de todas as medidas dilatórias, próprias de um sistema com excesso de justiça, cria obviamente um sentimento de que esses nunca serão condenados por prescrição dos prazos, enquanto um tipo que furta uma galinha para comer, é condenado sem apelo nem agravo, pois já é reincidente, já tinha roubado mais dois coelhos, no ano passado.
Se porventura conhecerem algum político, que efetivamente esteja preso, pelos crimes para os quais foi condenado, desses políticos de colarinho branco, mediáticos, podem deixar-me em comentário a este post, o qual muito agradeço.
Tenho um impulso muito grande para tecer comentários acerca do caso “Casa Pia”, mas vou-me ficar apenas pelas intenções, no final de contas os Srs., visados nesse processo já passaram muito, que dois ou três parágrafos meus, nenhuma moça lhes provocaria.
Realmente é tão difícil encontrar justiça em Portugal que, quando descobrirem uma forma de a fazer, já a “partícula de Deus” foi descoberta.
É assim que vai a nossa justiça.
Entendam-se por favor, pois se Magistrados, Advogados, Ministros da Justiça, e demais agentes da justiça, andam de costas voltadas, nunca haverá certamente a merecida justiça e estaremos longe de um estado de direito.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Uma pitada do que é formação em Portugal O Formador - Aquele estúpido ser...
Para já, não fiquem escandalizados pelo título que escolhe, pois se são formadores e não se sentem assim, sorte a vossa, eu não digo o mesmo, por algumas das razões que sito a seguir.
No post de hoje gostaria de, mesmo que, de forma superficial, mostrar a quem não conhece, a vida de um formador, ligado de certa forma às “vitórias” do anterior governo, que nem por esse e muito menos por este, terá qualquer possibilidade em pensar, na melhoria das condições de trabalho.
De facto, os Srs. Formadores que deram e ainda dão, corpo à tão famosa iniciativa das “Novas Oportunidades, que em muitos casos “aturam” os humores de gente, que sem qualquer preparação pessoal, ao nível da cultura, do saber estar e da educação e profissional, pois são colocados em formações para as quais nunca pensaram enveredar, além das suas próprias chefias, que demonstram total desinteresse pelo que se passa, esqueceram uma coisa: Ano passado a antiga Ministra da Educação, prometeu-nos uma vida melhor, uma contratação efetiva e não estes recibos verdes, que nos deviam pela cor dar esperança e só nos merecem o nosso desprezo.
Efetivamente esquecemos também que, este governo já prometeu mudança na precariedade a que os formadores estão sujeitos, na medida em que, iriam aumentar as suas regalias, mas nada….
Esta classe profissional, equiparada a médicos, advogados e outras profissões que nem recibos muitas vezes emitem, são a par dos enfermeiros, das mais penalizadas, na relação contratual, ou não, com as entidades que são suas clientes. Na verdade sabemos que não são clientes, mas comportam-se como patrões, posicionando-nos num lugar na hierarquia, de facto um lugar de pouco destaque, mas claramente um lugar na estrutura da entidade, como outro qualquer.
Gostaria então, em breve síntese fazer um levantamento de algumas situações da vida de um qualquer formador, principalmente que trabalhe para o IEFP, mas não só:
Um formador levanta-se de manhã sem perceber imediatamente que hoje não terá formação, pois os formandos foram para estágio. Obviamente que terá que fazer algo;
Fala com o seu coordenador, no sentido de preencher mais o seu horário. O Coordenador, indica que, gosta de mudar de formadores, mesmo sem saber da sua efetiva qualidade (digo eu);
O coordenador tem uma função para mim, mediar uma turma de formação de Jovens (CEF), muito bem, até que enfim… Vou ganhar 100€ por mês e as funções, entre outras, são: Tratar das questões burocráticas, juntamente com as Assistentes Sociais, Falara individualmente com os formandos, no sentido de resolver os seus problemas, dar entrada das faltas em sistema informático próprio da entidade (patronal), inserir os horários nessa mesma plataforma, fazer os horários “jogando” com as
disponibilidades de cada um, acompanhar os formandos no estágio curricular, etc, etc…O que é isto? O Formador é fornecedor, ou trabalhador da entidade?
Pois é, os sucessivos governos não olham para isto…
Mas há mais. Não existem condições para a sessão de formação, sucessivamente comunica-se ao coordenador tal facto. Resolva-a o Sr formador, foi também para isso que teve o CAP!
Chegou o fim do mês, é altura de comunicar as horas leccionadas, que serão pagas, já depois de recibo passado (ilegalidade praticada no IEFP), na melhor das hipóteses 3 semanas depois, mas isso é na melhor das hipóteses, pois pode demorar, mais de 4 meses! Tanto em instituições tuteladas diretamente pelo IEFP, como com parceiros.
Chegamos às férias, espetacular, os funcionários dependentes, ganham (ganhavam até aqui) 2 salários e nós…NADA! Muito boas assim as férias.
Vamos marcar uma reunião para abordar assuntos da formação, uma vez por mês. Os formadores não podem faltar, mas os coordenadores faltam quase sempre… As deslocações ninguém nos paga, muito menos as presenças. Haveriamos nós de nos reunirmos nas assembleias da capital europeia da cultura e íamos buscar pelo menos 1000 euritos. Já sei que trabalhávamos muito mais nessas reuniões, mas podiam dar-nos pelo menos 50€! Só para os gastos.
Está a chegar Dezembro, não sabemos o que se irá passar para o ano. Os coordenadores nada nos dizem e até parecem de certa forma melindrados pelas nossas perguntas, pois querem é assegurar o trabalhinho deles, mais nada…
Desculpem este texto, que parece mais um lamento, mas é de facto isso mesmo. Efetivamente não foquei tudo o que me parece desadequado mais haveria a dizer, simplesmente mencionei aquilo que me parece ser a maior falta de respeito e consideração, por pessoas normalmente com formação académica superior.
Já nem falo, quando acaba um curso, ou nas férias ou na falta de formação devida a estágios, não ganharmos um tostão e termos que pagar a Seg. Social, senão aí vem as mãos tentaculares da justiça fiscal, as penhoras, etc. Penhorem os grandes ladrões, que se passeiam de fato e gravata e que são na maioria, vossos parceiros.
Trago agora à colação oum novidade, deveras importante e que quase me esqueci. Afinal este ano vamos ter direito ao 14 mês, não sabiam?! Sim é verdade. também nós, na maioria dos casos a receber apenas durante 11 meses, vai contar para efeitos de imposto extraordinário, inventádo por um ordinário qualquer, que vai conseguir fazer o milagre da multiplicação. Na altura de entregar o IRS, será dividido o valor ganho nos 11 meses, por 14 e taxado em 50% o valor apurado acima dos 485€. Esta é de rir...para não falar na merecida bofetada na cara, da qual o moderno "Zé do telhado", não se livraria, num regime em que os valores fossem mais presentes.
Façamos nós alguma coisa por isto, esta vidazinha dá-me náuseas.
Não, isto não é verdade, foi tudo ficcionado, nada é real. Na realidade as coisas não são assim...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
A montanha pariu um rato
Mesmo antes de terminar a apelidada por muitos como a “cimeira dos castigos”, na medida em que, lá só se discutirá as medidas de punição aos governos/países que não cumpram as regras, vale a pena perceber que praticamente todos os países da comunidade europeia, não cumprem o que está estipulado e se forem sancionar severamente quem não cumpre, então não haverá mais Comunidade Europeia.
Se de facto vivêssemos em comunidade, tentar-se-iam resolver os problemas de uma forma absolutamente construtiva. Tal como devemos ser solidários com zonas do país que são menos prósperas, por via de muitas vicissitudes que se perdem nos tempos, mas que se agravaram no presente, também Às regiões/países da dita comunidade, que afinal não é, deveriam ser desenhados planos de recuperação e não punições que os fazem mais pobres ainda, que enfraquecem a Europa ainda mais e que no fim de contas terá o mesmo efeito, ou seja, ficarão por liquidar as dívidas. Será exatamente o que está a suceder com os bancos e respetivos empréstimos. Até agora, como eram os donos do dinheiro, utilizavam esse poder contra os clientes, na forma de ameaças e execuções quase indiscriminadas, no entanto, o modus operandi mudou. Neste momento os bancos centram a recuperação do dinheiro, da maneira mais cencensual que podem, negociando com os clientes e desenhando uma estratégia de pagamentos adequada às circunstâncias da realidade de cada um.
A Europa assim tem que ser, a solidariedade será fundamental, caso contrário, nem que se juntem os países mais fortes e se expurgue da comunidade os países doentes, esses irão concerteza, mais tarde ou mais cedo, sucumbir à tomada da economia mundial, por parte da China.
Queria finalizar apenas rematando, que a expectativa para esta cimeira, além da montanha parir um rato, irá ter uma consequência evidente, mais uma machadada nas relações entre os povos da Europa, esse já velho continente.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Não existem só portugueses medíocres
Antes de mais devo referir que, este título foi escolhido precisamente no seguimento do meu post anterior
Hoje trago à memória uma personalidade que de todos devia merecer respeito e a adequada lembrança. Digo isto, pois penso que o Capitão Salgueiro Maia, não está devidamente posicionado no merecido lugar de realce, na história recente de Portugal.
Por tudo o que fez por nós, naquele dia 25 de Abril de 1974, por ser uma pessoas simples, sem apego conhecido à popularidade e mediatismo, sem resquícios de vingança como foi provado “in loco”, valente, corajoso por desafiar o poder ditatorial instituído, com evidente prejuízo próprio, caso o golpe falhasse e especialmente porque de certa forma o povo português não lhe reconhece a importância que teve, ou por puro desconhecimento ou manipulação da opinião pública, quero com estas breves e singelas palavras enviar um agradecimento póstumo e a garantia de que contribuí, no que posso, para evitar o seu esquecimento.
Simplicidade, sobriedade e dedicação extraordinárias, um homem que merece concerteza a nossa vénia e admiração e que ao mesmo tempo nos deve incentivar a ter a coragem para enfrentar regimes podres de homens sedentos de vinganças e disputas pessoais, em que nada importa que não o dinheiro.
Relativamente ao momento presente, que pensaria este homem, este lutador, este fervoroso e dedicado guerreiro, a uma causa que não era só dele, ou do seu séquito, mas que, pelo contrário iria beneficiar o povo, que infelizmente, não quis ou não soube aproveitar. O seu legado de liberdade, esfumou-se, quando aqueles, os mesmos de sempre, tal como no outro regime, voltaram a tomar as rédeas do poder.
Não tenho dúvidas, de que quem nos tem governado, não são aquelas patéticas figuras que vemos na comunicação social, a discutir o OE, ou a representarem-nos em reuniões europeias, esses são apenas os testas de ferro, daqueles manipuladores, que com toda a sua argúcia, como um lobo nos vai comendo a carne.
Perdoem-me mas não posso terminar, sem referir o episódio máximo de tamanha ingratidão, quando o nosso atual Presidente da República, negou uma pensão, mais do que merecida ao Capitão e concedeu as mesmas pensões a ativos da PIDE, que tão maltrataram a nosso povo.
Salgueiro Maia, deixou-nos a esperança, temos o dever de a preservar e incentivar o seu crescimento, mas não será concerteza virando as costas e assobiando para o lado que iremos conseguir.
Ele não quis honras, mas nós devíamos honrá-lo. Até sempre Capitão Maia…
Hoje trago à memória uma personalidade que de todos devia merecer respeito e a adequada lembrança. Digo isto, pois penso que o Capitão Salgueiro Maia, não está devidamente posicionado no merecido lugar de realce, na história recente de Portugal.
Por tudo o que fez por nós, naquele dia 25 de Abril de 1974, por ser uma pessoas simples, sem apego conhecido à popularidade e mediatismo, sem resquícios de vingança como foi provado “in loco”, valente, corajoso por desafiar o poder ditatorial instituído, com evidente prejuízo próprio, caso o golpe falhasse e especialmente porque de certa forma o povo português não lhe reconhece a importância que teve, ou por puro desconhecimento ou manipulação da opinião pública, quero com estas breves e singelas palavras enviar um agradecimento póstumo e a garantia de que contribuí, no que posso, para evitar o seu esquecimento.
Simplicidade, sobriedade e dedicação extraordinárias, um homem que merece concerteza a nossa vénia e admiração e que ao mesmo tempo nos deve incentivar a ter a coragem para enfrentar regimes podres de homens sedentos de vinganças e disputas pessoais, em que nada importa que não o dinheiro.
Relativamente ao momento presente, que pensaria este homem, este lutador, este fervoroso e dedicado guerreiro, a uma causa que não era só dele, ou do seu séquito, mas que, pelo contrário iria beneficiar o povo, que infelizmente, não quis ou não soube aproveitar. O seu legado de liberdade, esfumou-se, quando aqueles, os mesmos de sempre, tal como no outro regime, voltaram a tomar as rédeas do poder.
Não tenho dúvidas, de que quem nos tem governado, não são aquelas patéticas figuras que vemos na comunicação social, a discutir o OE, ou a representarem-nos em reuniões europeias, esses são apenas os testas de ferro, daqueles manipuladores, que com toda a sua argúcia, como um lobo nos vai comendo a carne.
Perdoem-me mas não posso terminar, sem referir o episódio máximo de tamanha ingratidão, quando o nosso atual Presidente da República, negou uma pensão, mais do que merecida ao Capitão e concedeu as mesmas pensões a ativos da PIDE, que tão maltrataram a nosso povo.
Salgueiro Maia, deixou-nos a esperança, temos o dever de a preservar e incentivar o seu crescimento, mas não será concerteza virando as costas e assobiando para o lado que iremos conseguir.
Ele não quis honras, mas nós devíamos honrá-lo. Até sempre Capitão Maia…
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
O que estão a fazer ao SNS
Tinha já alinhavado para hoje um texto sobre uma figura ilustre da nossa memória coletiva, que não vou mencionar, senão mais tarde, quando lhe puder dedicar o seu merecido espaço, quando para meu espanto (ou já não), ouço na rádio, enquanto me preparo para mais uma jorna, que as taxas moderadoras da saúde vão aumentar para o dobro!
A atualidade obriga-me portanto a trocar um ilustre esquecido pela sociedade, por alguém que não sendo ilustre, quer a qualquer preço ser lembrado.
Finalmente alguém vai conseguir dar a machadada final no Serviço Nacional de Saúde, idealizado por mais um ilustre português, António Arnaut, que se bateu por um sistema igualitário no acesso à saúde.
Até agora, muitos tentaram, mas ninguém tinha conseguido tal desfaçatez, empurrar para o privado, a classe média, já deveras massacrada pelas últimas campanhas de empobrecimento, praticada por este e os últimos governos, que para segurar a “besta”, vão sempre pelo lado mais simples.
Até agora, muitos tentaram, mas ninguém tinha conseguido tal desfaçatez, empurrar para o privado, a classe média, já deveras massacrada pelas últimas campanhas de empobrecimento, praticada por este e os últimos governos, que para segurar a “besta”, vão sempre pelo lado mais simples.
Quando temos conhecimento desta notícia, provavelmente não vem logo à memória, que o indivíduo que está a promover esta ideia, é o mesmo que colocou a máquina das finanças a funcionar mais adequadamente, com um sentido tecnocrata, sem qualquer tipo de pejo em atingir quem quer que seja, pois a sua vida gira à volta de gráficos e estatísticas, não existe lugar para os sentimentos, mas mais do que isso, este homem, foi o principal mentor dos seguros de saúde e grande impulsionador da saúde privada em Portugal e consequentemente dos seus lobbies.
O Senhor ministro foi funcionário do BCP, responsável pela Medis, que obviamente nunca esqueceu, como um bom pai, não se esquece do seu filho…
Custa a crer mas é verdade, que irá ser mais caro ir a um hospital público do que a um privado e o grande objectivo afinal de contas é esse, empurrar os utentes para o provado, sendo os hospitais públicos mais tarde ou mais cedo também privatizados ou pura e simplesmente extintos.
Sim, esse senhor, tecnocrata na área económico-financeira, vai conseguir introduzir no SNS, os famosos co-pagamentos das seguradoras de saúde privadas, com prejuízo claro para a classe média, pois os ricos vão para o privado e os mais pobres, não serão afectados, nesta lógica de assistencialismo desavergonhado.
Não se trata portanto de taxas para moderar o acesso, mas sim para impedir o acesso, não confundamos os termos e aceitemos de uma vez por todas que assim o SNS vai acabar em breve.
Mais uma vez assistimos a um ataque feroz aos bolsos da classe média e as pessoas continuam a deambular inconscientemente, como se de sonâmbulos se tratassem, pois também sabem que qualquer manifestação mais acalorada, será imediatamente reprimida à nascença, pois a polícia já se prepara para isso.
Portanto, cuidado com o que falam e com o que fazem, eles andam aí…
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
O embuste
Hoje gostava de lançar uma das minhas principais dúvidas, no que diz respeito ao sistema económico que dispomos e que aclamamos, por ser o melhor ou como já ouvi o melhor dos piores, mas que efetivamente se comportou como um gigante com pés de barro, com a agravante de se movimentar descoordenadamente, entrando numa espiral de caos que irá conduzir obrigatoriamente à mudança, acredito que sim.
Este sistema económico que se vai degradando e nos vai consumindo e empobrecendo, ao invés de nos enriquecer, como se pode adivinhar pelas suas bases, designado por nomes pomposos como, economia de mercado, mercado livre, economía dos países "desenvolvidos" e até muitas vezes sinónimo de liberdade dos regimes onde está implementado, é de facto um embuste, nesse sistema nada tem um valor definitivo, nem as pessoas, tudo é irreal, tudo gira à volta da lei base da economia, oferta vs procura..
Vejamos, as sociedades anónimas, por exemplo, hoje valem um determinado valor, amanhã outro, a moeda vale muito hoje, amanhã terá outro valor, a gasolina, custa numa semana determinado valor, mas como o petróleo subiu, não se sabe bem porquê, vai desencadear uma subida superior à valorização do petróleo, também vai variar, então o que tem valor efetivamente nesta sociedade? Evidentemente o dinheiro, nada mais.
A moderna e desenvolvida civilização, onde existe liberdade para fazer e dizer, mas não para ser, condenada à escravatura do dinheiro, não deixa de ser um paradoxo.
Reparem tudo o que gira à volta do nosso dinheiro é virtual, surreal, posso dizer até assustador para quem não se move nos meandros do conhecimento económico.
Um dos meus maiores desafios, é perceber como uma empresa pode valer mais do que produz, ou de todo o imobilizado que tem? Não pode ser, isto é algo que me parece evidente. Qualquer que seja o produto, tem que ter um valor que resulta dos custos de produção e margem de lucro e o lucro deve ser repartido pelos acionistas, não é mais fácil assim?
Evidentemente que a maior parte das empresas de grande porte, não pensam assim, não pensam na crise, na economia, no simples lucro que podem ter pela produção de algo, mas sim dependem da especulação, este sim é o maior cancro da nossa sociedade.
Reparem que a especulação tem por princípio algo pouco seguro, de muito risco, que não é suficientemente sólido para resistir, quando por cima dessa superfície se ergue um gigante, para o qual as pernas não estão preparadas.
Acontece o mesmo a um castelo de cartas, que vamos empilhando, empilhando e cada vez mais empilhando. Ficará certamente um efeito bonito, mas se eu continuar a insistir, tudo virá abaixo. Ora foi isso que aconteceu e irá acontecer enquanto as bases do sistema económico não forem suficientemente sólidas.
Para concluir permitam-me reafirmar que o termo crise, não é só económica, mas sim uma crise de soluções, de ideias, finalmente, de debate…
domingo, 4 de dezembro de 2011
Mais uma visão sobre a crise
Caros companheiros de mesa, ainda a propósito da conturbada
época que vivemos, gostaria de esclarecer um ponto do meu post anterior. Nunca
foi minha intenção negar o evidente, a crise existe mesmo, mas o que eu queria
salientar era o facto de esta estar a servir de motivo, para alterações,
reformulações e sacrifícios, com um único propósito e esta já bastante
explorado, enriquecer mais, quem já é rico, criar um regime assistencial, próprio
das ditaduras, baseado em regimes como os da nossa querida Madeira e destruir
completamente as esperanças da classe média.
Tudo isto já é conhecido de facto, é apenas chover no
molhado, mas será que já lhe demos a devida importância, já paramos para
pensar, ou deambulamos sonambulamente pelas ruas, pelo trabalho, em casa,
colados à televisão ou ao rádio a deglutir mensagens mais ou menos sábias de
quem se aproveita de tudo isto para se promover social e financeiramente.
No post anterior referi-me ao facto de já há muitos anos
vivermos em crise e penso que isso é bem
verdade. Todos ouvimos pelos nossos avós esses relatos. Sempre houve emigrantes,
pobreza e tristeza, mas sempre nos resignamos.
Agora a crise é apenas diferente, pois não é apenas uma crise
financeira grave, mas uma crise de expectativas, que durante anos foram
alimentadas principalmente pela banca, que nos entrou pelas casas com dinheiro,
cartões de crédito, aplicações financeiras, etc. Uma tamanha fraude, em que
também eles próprios foram vítimas, evidentemente com a culpa de quem dá um
tiro no pé.
Portanto hoje apetece-me falar principalmente da banca, que
nos sorveu todo o dinheiro, a nossa carne e agora nos recusou os ossos.
O estado tinha obrigação de fazer mais, muito mais, mas esses
também ganham à jorna e hoje estão no governo e amanhã são administradores de
um banco qualquer.
Não consigo evidentemente falar de tudo que me vai na alma em
dois ou três posts, deixarei isso para a próxima intervenção, até porque
gostava muito de falar das agências de especulação e desses energúmenos que
atribuem notas a países soberanos.
Sinceramente, como vulgar cidadão, por mim isto ia tudo ao “charco”
e não se pagava nada a ninguém. Começávamos do zero, do zero mesmo e não apenas
fazíamos remendos sobre remendos, quando na essência, tanto ontem, como hoje,
quem nos governa são os mesmos.
Vejam quem são as famílias que efetivamente nos governam há
décadas…
sábado, 3 de dezembro de 2011
A palavra do momento..."crise"
Será mesmo? Será assim tão verdade? Onde está o dinheiro? As pessoas deixaram os carros? e os restaurantes e cafés, estão vazios? Olhem à volta, que vos parece? Hum...não parece ser bem assim pois não?! "Crise" há, não há qualquer dúvida, mas há quanto tempo?
Respostas não tenho pretensão nem arcaboice para verdades absolutas, mas tenho algumas ideias e vocês também, de certeza...
Seria importante perceber a vossa perceção sobre estas e outras questões relacionadas.
Estamos envoltos na névoa a que chamam crise e nada vemos para além disso. Proximamente gostaria de desenvolver mais este tema.
Respostas não tenho pretensão nem arcaboice para verdades absolutas, mas tenho algumas ideias e vocês também, de certeza...
Seria importante perceber a vossa perceção sobre estas e outras questões relacionadas.
Estamos envoltos na névoa a que chamam crise e nada vemos para além disso. Proximamente gostaria de desenvolver mais este tema.
O Primeiro post...
Escrevo este primeiro "post", com a dedicação de própria de quem faz algo pela primera vez, ou quase...De facto o que procuro neste "meu canto" é exprimir as minhas ideias, ilusões, angústias e todos os demais sentimentos que por vezes temos dificuldade de demonstrar em público. Não tenho a pretensão de o tornar um manual de consulta, mas apenas a, julgo eu, genuína vontade de escrever e de procurar desse modo, extravasar todos os medos e anseios, num momento de tão difícil situação.
Escolhi esta designação para o blog, pois de facto, gostaria que este canto pudesse sustentar algumas das sábias "conversas" de café, em que todos nós já participamos e reconhecemos o seu valor.
Evidentemente como "conversas" que são, gostaria muito que pudessem trocar algumas ideias comigo, para tal irei desenvolver os procedimentos necessários para criar esse feedback.
Tal como numa conversa de café, todos exprimimos as nossas ideias e seguidamente vamos felizes e descomprimidos para casa.
Portanto eu sou o "dono" do botequim e irei falar do que me aprouver e for oportuno. Não existe portanto um tema propriamente dito e os leitores poderão sugerir também alguma coisa...
Escolhi esta designação para o blog, pois de facto, gostaria que este canto pudesse sustentar algumas das sábias "conversas" de café, em que todos nós já participamos e reconhecemos o seu valor.
Evidentemente como "conversas" que são, gostaria muito que pudessem trocar algumas ideias comigo, para tal irei desenvolver os procedimentos necessários para criar esse feedback.
Tal como numa conversa de café, todos exprimimos as nossas ideias e seguidamente vamos felizes e descomprimidos para casa.
Portanto eu sou o "dono" do botequim e irei falar do que me aprouver e for oportuno. Não existe portanto um tema propriamente dito e os leitores poderão sugerir também alguma coisa...
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