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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O embuste

Hoje gostava de lançar uma das minhas principais dúvidas, no que diz respeito ao sistema económico que dispomos e que aclamamos, por ser o melhor ou como já ouvi o melhor dos piores, mas que efetivamente se comportou como um gigante com pés de barro, com a agravante de se movimentar descoordenadamente, entrando numa espiral de caos que irá conduzir obrigatoriamente à mudança, acredito que sim.

Este sistema económico que se vai degradando e nos vai consumindo e empobrecendo, ao invés de nos enriquecer, como se pode adivinhar pelas suas bases, designado por nomes pomposos como, economia de mercado, mercado livre, economía dos países "desenvolvidos" e até muitas vezes sinónimo de liberdade dos regimes onde está implementado, é de facto um embuste, nesse sistema nada tem um valor definitivo, nem as pessoas, tudo é irreal, tudo gira à volta da lei base da economia, oferta vs procura..
Vejamos, as sociedades anónimas, por exemplo, hoje valem um determinado valor, amanhã outro, a moeda vale muito hoje, amanhã terá outro valor, a gasolina, custa numa semana determinado valor, mas como o petróleo subiu, não se sabe bem porquê, vai desencadear uma subida superior à valorização do petróleo, também vai variar, então o que tem valor efetivamente nesta sociedade? Evidentemente o dinheiro, nada mais.
A moderna e desenvolvida civilização, onde existe liberdade para fazer e dizer, mas não para ser, condenada à escravatura do dinheiro, não deixa de ser um paradoxo.
Reparem tudo o que gira à volta do nosso dinheiro é virtual, surreal, posso dizer até assustador para quem não se move nos meandros do conhecimento económico.
Um dos meus maiores desafios, é perceber como uma empresa pode valer mais do que produz, ou de todo o imobilizado que tem? Não pode ser, isto é algo que me parece evidente. Qualquer que seja o produto, tem que ter um valor que resulta dos custos de produção e margem de lucro e o lucro deve ser repartido pelos acionistas, não é mais fácil assim?
Evidentemente que a maior parte das empresas de grande porte, não pensam assim, não pensam na crise, na economia, no simples lucro que podem ter pela produção de algo, mas sim dependem da especulação, este sim é o maior cancro da nossa sociedade.
Reparem que a especulação tem por princípio algo pouco seguro, de muito risco, que não é suficientemente sólido para resistir, quando por cima dessa superfície se ergue um gigante, para o qual as pernas não estão preparadas.
Acontece o mesmo a um castelo de cartas, que vamos empilhando, empilhando e cada vez mais empilhando. Ficará certamente um efeito bonito, mas se eu continuar a insistir, tudo virá abaixo. Ora foi isso que aconteceu e irá acontecer enquanto as bases do sistema económico não forem suficientemente sólidas. 
Para concluir permitam-me reafirmar que o termo crise, não é só económica, mas sim uma crise de soluções, de ideias, finalmente, de debate…

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