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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O que estão a fazer ao SNS

Tinha já alinhavado para hoje um texto sobre uma figura ilustre da nossa memória coletiva, que não vou mencionar, senão mais tarde, quando lhe puder dedicar o seu merecido espaço, quando para meu espanto (ou já não), ouço na rádio, enquanto me preparo para mais uma jorna, que as taxas moderadoras da saúde vão aumentar para o dobro!
A atualidade obriga-me portanto a trocar um ilustre esquecido pela sociedade, por alguém que não sendo ilustre, quer a qualquer preço ser lembrado. 
Finalmente alguém vai conseguir dar a machadada final no Serviço Nacional de Saúde, idealizado por mais um ilustre português, António Arnaut, que se bateu por um sistema igualitário no acesso à saúde.
Até agora, muitos tentaram, mas ninguém tinha conseguido tal desfaçatez, empurrar para o privado, a classe média, já deveras massacrada pelas últimas campanhas de empobrecimento, praticada por este e os últimos governos, que para segurar a “besta”, vão sempre pelo lado mais simples.
Quando temos conhecimento desta notícia, provavelmente não vem logo à memória, que o indivíduo que está a promover esta ideia, é o mesmo que colocou a máquina das finanças a funcionar mais adequadamente, com um sentido tecnocrata, sem qualquer tipo de pejo em atingir quem quer que seja, pois a sua vida gira à volta de gráficos e estatísticas, não existe lugar para os sentimentos, mas mais do que isso, este homem, foi o principal mentor dos seguros de saúde e grande impulsionador da saúde privada em Portugal e consequentemente dos seus lobbies.
O Senhor ministro foi funcionário do BCP, responsável pela Medis, que obviamente nunca esqueceu, como um bom pai, não se esquece do seu filho…
Custa a crer mas é verdade, que irá ser mais caro ir a um hospital público do que a um privado e o grande objectivo afinal de contas é esse, empurrar os utentes para o provado, sendo os hospitais públicos mais tarde ou mais cedo também privatizados ou pura e simplesmente extintos.
Sim, esse senhor, tecnocrata na área económico-financeira, vai conseguir introduzir no SNS, os famosos co-pagamentos das seguradoras de saúde privadas, com prejuízo claro para a classe média, pois os ricos vão para o privado e os mais pobres, não serão afectados, nesta lógica de assistencialismo desavergonhado.
Não se trata portanto de taxas para moderar o acesso, mas sim para impedir o acesso, não confundamos os termos e aceitemos de uma vez por todas que assim o SNS vai acabar em breve.
Mais uma vez assistimos a um ataque feroz aos bolsos da classe média e as pessoas continuam a deambular inconscientemente, como se de sonâmbulos se tratassem, pois também sabem que qualquer manifestação mais acalorada, será imediatamente reprimida à nascença, pois a polícia já se prepara para isso.
Portanto, cuidado com o que falam e com o que fazem, eles andam aí…

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