Caros companheiros de mesa, ainda a propósito da conturbada
época que vivemos, gostaria de esclarecer um ponto do meu post anterior. Nunca
foi minha intenção negar o evidente, a crise existe mesmo, mas o que eu queria
salientar era o facto de esta estar a servir de motivo, para alterações,
reformulações e sacrifícios, com um único propósito e esta já bastante
explorado, enriquecer mais, quem já é rico, criar um regime assistencial, próprio
das ditaduras, baseado em regimes como os da nossa querida Madeira e destruir
completamente as esperanças da classe média.
Tudo isto já é conhecido de facto, é apenas chover no
molhado, mas será que já lhe demos a devida importância, já paramos para
pensar, ou deambulamos sonambulamente pelas ruas, pelo trabalho, em casa,
colados à televisão ou ao rádio a deglutir mensagens mais ou menos sábias de
quem se aproveita de tudo isto para se promover social e financeiramente.
No post anterior referi-me ao facto de já há muitos anos
vivermos em crise e penso que isso é bem
verdade. Todos ouvimos pelos nossos avós esses relatos. Sempre houve emigrantes,
pobreza e tristeza, mas sempre nos resignamos.
Agora a crise é apenas diferente, pois não é apenas uma crise
financeira grave, mas uma crise de expectativas, que durante anos foram
alimentadas principalmente pela banca, que nos entrou pelas casas com dinheiro,
cartões de crédito, aplicações financeiras, etc. Uma tamanha fraude, em que
também eles próprios foram vítimas, evidentemente com a culpa de quem dá um
tiro no pé.
Portanto hoje apetece-me falar principalmente da banca, que
nos sorveu todo o dinheiro, a nossa carne e agora nos recusou os ossos.
O estado tinha obrigação de fazer mais, muito mais, mas esses
também ganham à jorna e hoje estão no governo e amanhã são administradores de
um banco qualquer.
Não consigo evidentemente falar de tudo que me vai na alma em
dois ou três posts, deixarei isso para a próxima intervenção, até porque
gostava muito de falar das agências de especulação e desses energúmenos que
atribuem notas a países soberanos.
Sinceramente, como vulgar cidadão, por mim isto ia tudo ao “charco”
e não se pagava nada a ninguém. Começávamos do zero, do zero mesmo e não apenas
fazíamos remendos sobre remendos, quando na essência, tanto ontem, como hoje,
quem nos governa são os mesmos.
Vejam quem são as famílias que efetivamente nos governam há
décadas…
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